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 Dieta vegetariana ou vegana

A nutrição vegetariana ou vegana tem ganhado muitos adeptos nos últimos anos, mas será que basta simplesmente cortar alimentos de origem animal? 

    A adoção de uma dieta vegetariana ou vegana tem conquistado cada vez mais adeptos devido a motivações de saúde, éticas e ambientais. Como qualquer padrão alimentar, a transição para esse modelo apresenta pontos positivos importantes e também desafios específicos que exigem atenção.

Vantagens da Dieta Vegetariana ou Vegana
Uma das principais vantagens da alimentação baseada em vegetais é a prevenção de doenças crônicas. Segundo dados publicados pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), pessoas que adotam essa dieta apresentam menor incidência de problemas cardiovasculares, hipertensão, diabetes tipo 2 e obesidade. Isso ocorre devido ao consumo reduzido de gorduras saturadas e à alta ingestão de fibras, antioxidantes, 
vitaminas e minerais. Além disso, análises médicas divulgadas por redes de saúde como o laboratório Nav Dasa mostram que a abundância de fibras favorece o bom funcionamento da microbiota intestinal e aumenta a sensação de saciedade, auxiliando no controle do peso corporal. Do ponto de vista ecológico, focar a alimentação em vegetais reduz consideravelmente a pegada de carbono e o uso excessivo de recursos naturais.

Desvantagens e Desafios
Por outro lado, a principal desvantagem surge quando a dieta é mal planejada, o que pode levar a deficiências nutricionais graves. Como destacado por especialistas no portal médico Medscape, a retirada total de produtos animais elimina a fonte primária de vitamina B12, micronutriente vital para o sistema nervoso e para evitar o comprometimento cognitivo e a anemia. Além disso, conforme discutido no blog educacional Cenbrap, os níveis de ferro, zinco, cálcio e vitamina D também exigem vigilância constante. O ferro de origem vegetal possui menor biodisponibilidade, sendo absorvido com maior dificuldade pelo organismo. Garantir o aporte ideal de proteínas completas e aminoácidos essenciais também passa a exigir uma combinação inteligente e diversificada de leguminosas, como feijões, lentilhas e grão-de-bico. 

Em suma, a dieta vegetariana ou vegana pode ser altamente benéfica para a longevidade e para o planeta. No entanto, para mitigar os riscos de carências, o acompanhamento nutricional individualizado e a realização de exames laboratoriais periódicos são ferramentas indispensáveis para manter o bom funcionamento do organismo.

Se você quiser, posso ajudar a aprofundar o assunto. Eu elaborei um e-book  muito prático, com linguagem acessível, que vai te ajudar a entender como ter alimentação vegetariana ou vegana saudável e não correr risco de deficiências nutricionais. Para adiquirir o seu e-book acesse a aba "Cursos e E-books" no início da página.

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A nutrição no tratamento do câncer colorretal 

A nutrição é um dos pilares mais críticos na prevenção, no tratamento e na recuperação do câncer colorretal.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), os hábitos alimentares inadequados respondem por uma parcela significativa dos tumores no aparelho digestivo. O acompanhamento nutricional especializado protege o tecido saudável, melhora a resposta imunológica e reduz complicações cirúrgicas.

O papel da alimentação e as estratégias recomendadas dividem-se em três etapas principais:

 

1. O Escudo da Prevenção

A saúde do cólon e do reto está diretamente ligada à integridade da microbiota intestinal. Certos nutrientes atuam de forma preventiva contra mutações celulares:

  • Fibras alimentares: Reduzem o tempo de contato de substâncias tóxicas com a parede do intestino. Devem ser consumidas através de grãos integrais, frutas e verduras.

  • Compostos antioxidantes: Protegem as células contra danos oxidativos. Enquadram-se aqui alimentos ricos em vitaminas C e E.

  • Evitar ultraprocessados: Carnes processadas (como salsicha, bacon e presunto) são classificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como carcinogênicas. O excesso de carne vermelha também eleva os riscos inflamatórios.

 

2. Suporte Durante o Tratamento Clínico

A quimioterapia, a radioterapia e os procedimentos cirúrgicos geram grande estresse metabólico. A terapia nutricional nesta fase foca em mitigar os efeitos colaterais:

  • Prevenção da sarcopenia: A perda severa de massa muscular prejudica a tolerância aos medicamentos. O aporte hiperproteico é essencial para manter a força muscular.

  • Manejo de sintomas: Sintomas comuns como diarreia ou constipação exigem alterações drásticas na textura da dieta e no teor de resíduos e gorduras.

  • Suplementação oral precoce: O uso de fórmulas imunomoduladoras diminui o tempo de internação e as taxas de infecção pós-operatória.

 

3. Recuperação e Qualidade de Vida pós-Tratamento

Após a retirada do tumor ou o fim das sessões oncológicas, o foco muda para a regeneração tecidual e prevenção de recidivas:

  • Gorduras saudáveis: O consumo de azeite de oliva extra virgem, abacate e peixes ricos em ômega-3 ajuda a modular processos inflamatórios crônicos.

  • Hidratação reforçada: É vital para a regulação do fluxo intestinal e a prevenção do ressecamento das mucosas.

  • Ajustes individuais: Pacientes submetidos a colostomias ou ressecções extensas necessitam de acompanhamento contínuo para evitar carências de micronutrientes, como a vitamina D e a vitamina B12.

O planejamento dietético individualizado com um especialista em nutrição oncológica assegura que o corpo receba a energia necessária sem sobrecarregar o trato gastrointestinal, tornando-se uma ferramenta indispensável para o sucesso terapêutico.

Dieta Cetogênica e Câncer

Dieta Cetôgenica e Câncer

   A dieta cetogênica é caracterizada por alto teor de lipídeos, proteínas em quantidade moderada e baixa ingestão de carboidratos (até 10% das calorias diárias necessárias). Seu objetivo é induzir o organismo a produzir corpos cetônicos, usados como fonte alternativa de energia pelo cérebro. Foi desenvolvida inicialmente nos Estados Unidos, no início do século XX, para tratar epilepsia refratária a medicamentos (Pereira, 2010).

    Nos últimos anos, a dieta tem sido estudada como uma estratégia complementar no tratamento do câncer. A hipótese se baseia no fato de que células normais podem se adaptar ao uso de ácidos graxos e corpos cetônicos quando há baixa insulina, enquanto células tumorais dependem de glicose como combustível. Dessa forma, reduzir carboidratos poderia teoricamente limitar o crescimento tumoral. No entanto, o corpo humano ainda produz glicose pela gliconeogênese, e células cancerígenas são eficientes em aproveitar mesmo pequenas quantidades disponíveis. Além disso, dietas pobres em carboidratos reduzem os níveis circulantes de insulina e IGF-1, o que pode diminuir estímulos de crescimento tumoral (Bryan, 2014).

Estudos clínicos e pré-clínicos trazem resultados mistos:

  • Fine (2012): em 10 pacientes com câncer avançado submetidos à dieta cetogênica por 28 dias, 4 tiveram progressão, 5 permaneceram estáveis e 1 apresentou remissão parcial. A eficácia relacionou-se mais à intensidade da cetose do que à perda de peso.

  • Schimidt (2011): pacientes com tumores metastáticos em dieta cetogênica por 3 meses relataram melhora no funcionamento emocional e menos insônia. Outros parâmetros permaneceram estáveis ou pioraram, refletindo o avanço da doença. Não foram observadas alterações relevantes em colesterol e lipídios séricos, apenas constipação e fadiga em alguns casos.

  • Modelos animais: a dieta cetogênica reduziu o crescimento de tumores como glioma maligno, câncer de cólon, gástrico e de próstata. O jejum, que também induz cetose, mostrou potencial em aumentar a resposta à quimioterapia e até reduzir alguns de seus efeitos colaterais (Bryan, 2014).

   Apesar dos resultados promissores em alguns estudos, os mecanismos exatos de ação ainda não estão totalmente esclarecidos. Além disso, os ensaios clínicos disponíveis apresentam limitações metodológicas e amostras pequenas, não sendo possível confirmar a segurança e eficácia da dieta cetogênica como tratamento oncológico.

    Além disso, pacientes em tratamento neoplásico de quimioterapia e radioterapia podem não se beneficiar de uma dieta mais restrita, já que em muitos casos o estado nutricional do paciente oncológico pode estar comprometido, em virtude da própria doença como nos casos de caquexia do câncer e também pelos efeitos colaterais que podem acontecer durante o tratamento como: perda de apetite, náusea, vômito, diarreia, mucosite etc.

    A nutrição de um paciente oncológico é um tratamento adjuvante que tem o objetivo de manter ou melhorar o estado nutricional, fortalecendo e capacitando o paciente para que ele consiga realizar o tratamento que necessita e ter a chance de cura ou melhor prognóstico e qualidade de vida. Diante disso, dietas como a cetogênica não são ou não deveriam ser aconselhadas pelo nutricionista.

Referências:

- I Consenso Brasileiro de Nutrição Oncológica da SBNO. Disponível em: https://www.sbno.com.br/assista-ao-vii-congresso-brasileiro-de-nutricao-oncologica-da-sbno/

Acessado em 10/09/2025.

- Dieta cetogênica e Câncer. Disponível em: https://sbno.com.br/dieta-cetogenica-e-cancer/   Acessado em 10/09/2025. 

Princípios do Comer Intuitivo
Nutrição Comportamental

Você conhece os 10 princípios do Comer Intuitivo?

  1. Rejeitar a mentalidade de dieta
    Para comer de forma intuitiva é fundamental rejeitar as dietas, não apenas não fazê-las, mas também abandonar a mentalidade de dieta, que é decidir sobre o que, quando e quanto comer por regras externas, e determinadas por outros. Só você deve ser o especialista no seu corpo!

  2. Honrar a fome
    Nossas sensações internas devem ser nosso guia para comer, e atender a fome é fundamental para comer uma quantidade e qualidade que satisfaçam as necessidades de nossos corpos. Honrar traz o sentido de respeitar, confiar nestes sinais. Mas é preciso aprender a percebê-los

  3. Fazer as pazes com a comida
    Embora diferentes nutricionalmente, todas as comidas devem ser equivalentes emocionalmente. É preciso abandonar as listas de permitidos e proibidos, para não entrar em ciclos de restrição e exagero.

  4. Desafiar o policial alimentar
    Os pensamentos de culpa e julgamento não ajudam a comer de forma mais saudável, pelo contrário, podem gerar reações do tipo “tudo ou nada”. A estação de polícia normalmente está em nossas mentes. Como você tem se tratado quanto as suas escolhas alimentares? É preciso aprender a se tratar com bondade, permissão e esperança.

  5. Sentir a saciedade
    Da mesma forma que se deve honrar a fome, é preciso aprender a sentir a saciedade e respeitá-la. Para tanto é fundamental comer com atenção e calma e prestar atenção aos sinais do corpo.

  6. Descobrir o fator  satisfação
    Respeitar a fome e a saciedade é fundamental, mas também é muito importante comer o que satisfaz: a boca, o apetite, a vida! Para isto é fundamental comer o que se tem vontade, e por isto fazer as pazes com a comida é tão importante.

  7. Lidar com as suas emoções com gentileza
    Somos influenciados pelas emoções com relação a nossa maneira de comer. Mas é preciso encontrar, experimentar e usar maneiras de se alimentar, distrair, resolver questões sem usar a comida. Comer emocional é quando a comida é usada para regular emoções. É preciso prestar atenção ao sentimento real, e buscar aquilo que atenda a este sentimento.

  8. Respeitar o seu corpo
    É muito difícil comer de forma intuitiva quando não se tem respeito pelo próprio corpo. Mesmo quando há insatisfação e desejo de mudar, é preciso avaliar metas realistas, e respeitar o corpo independente de seu tamanho e peso, como morada de nosso ser e nosso instrumento de vida.

  9. Movimentar-se – sentindo a diferença
    O movimentar-se deve ser guiado pelas sensações que temos ao fazê-lo, e não para queimar calorias, emagrecer, enrijecer… Tudo o mais são consequências. Da mesma forma que o comer, colocar o corpo em movimento pode ser também intuitivo: quando deixamos nossas sensações e corpo nos guiarem pelo que nos dá mais prazer, pelo que nos faz bem.​

  10.  Honrar a sua saúde com uma nutrição gentil
    O comer intuitivo não desconsidera nenhuma das recomendações nutricionais sobre diretrizes para alimentação saudável, mas defende uma nutrição gentil. Quando se abandona as dietas, se honra a fome, se percebe a saciedade, a satisfação é encontrada, quando se faz as pazes com a comida a consequência será uma

Síndrome do Intestino Irritável (SII)
Das causas à alimentação

Síndrome do Intestino Irritável (SII)

A Síndrome do Intestino Irritável (SII), segundo a Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia (SBMDN), é um termo aplicado a uma associação de sintomas que consistem mais frequentemente de dor e distensão abdominal, constipação e diarreia. Muitos pacientes com SII alternam períodos de diarreia com constipação. Caracteriza-se por uma doença funcional, já que possui ausência de anormalidades estruturais e bioquímicas em todos os exames complementares, laboratoriais e de imagem.

Causa provável

A causa de SII não se encontra completamente esclarecida. Acredita-se que haja uma hipersensibilidade visceral, responsável pelos sintomas, que pode ser agravada pela ingestão de certos alimentos. Admite-se que seja um distúrbio multifatorial relacionado com alterações neurológicas diretamente relacionadas ao intestino. Além da ingestão alguns de alimentos, os sintomas podem ser precedidos de alterações psicossomáticas, principalmente o estresse.

Transtornos psicológicos, eventos vitais (um evento traumático) e estilo  negativo de enfrentar a vida podem desempenhar um papel importante na patogênese da SII. Um estudo com pacientes mexicanos com a SII apontaram que 70% deles sofriam de ansiedade, 46% de depressão e 40% de ambas as condições. Sugerindo que a SII pode se desencadear por problemas emocionais.

Sintomas

Pacientes portadores de SII relatam dor e desconforto abdominais recorrentes seguidos de um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Mudança do hábito intestinal (constipação ou diarreia);

  • Melhora total ou parcial da dor após evacuação;

  • Distensão abdominal e flatulências.

Os sintomas podem estar presentes por meses, o que interfere diretamente na qualidade de vida dos pacientes. Entretanto, as queixas relatadas na SII são muito semelhantes aos sintomas de outras afecções do trato gastrointestinal, o que dificulta o diagnóstico.

Complicações

Essa afecção não está relacionada com complicações graves do quadro de saúde do paciente. Trata-se de uma doença benigna e com boa evolução, se abordada adequadamente. Sinais de alarme como sangramento, perda de peso, desidratação e desnutrição grave descartam o quadro de doença funcional. Caso estejam presentes, esses sinais devem ser investigados cautelosamente.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome do intestino irritável é clínico, sendo imprescindível que haja uma boa relação médico-paciente. Não há nenhum exame específico para comprovação dessa síndrome, porém alguns exames podem ser solicitados para exclusão de outra doença do trato gastrointestinal.

A pesquisa de supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SCBID), por meio do teste respiratório, pode ser necessária de acordo com a intensidade dos sintomas apresentados pelo paciente.

Tratamento

Muitos pacientes identificam que determinados alimentos ou bebidas estão relacionados com a piora dos sintomas.

Estudos recentes demonstraram que uma dieta rica em alimentos altamente fermentáveis, conhecidos como FODMAPs exacerbam os sintomas da SII. Trata-se de carboidratos de cadeia curta que não são completamente digeridos ou absorvidos e, consequentemente, são fermentados no intestino.

Além disso, sugere-se que a ingestão do açúcar do leite (lactose) e o glúten provocam aumento da permeabilidade intestinal com reduzida expressão do ácido ribonucleico mensageiro (RNAm) de proteínas de tight junctions na mucosa intestinal, aumentando os sintomas diarreicos da SII.

Dessa forma, é imprescindível que o paciente seja bem avaliado e encaminhado para um nutricionista capacitado para elaborar uma dieta adequada que é comumente chamada de dieta LOW FODMAPs, com um plano alimentar pobre nesses carboidratos fermentáveis.

A microbiota é reconhecida por fazer parte importante na patogênese dessa síndrome, uma vez que estudos têm demonstrado alteração da microbiota nesses pacientes. Por esse motivo a utilização probióticos também faz parte da estratégia de tratamento. Além disso, a utilização de ervas e fitoterápicos pode beneficiar o paciente na redução de sintomas como estufamento, excesso de produção de gases e disfunção da motilidade intestinal.

Se você foi diagnosticado com SII e precisa de uma acompanhamento com uma estratégia nutricional adequada para o seu caso,  agende uma consulta online ou presencial no contato abaixo.

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